Análise: Senado, 1º turno (4/10/2026)
Aqui eu mostro quem ganhou e quem perdeu as 54 cadeiras do Senado em disputa (2 por UF), o que uma referência simples esperava e como fica o Senado que toma posse em 2027.
1. Quem ganhou e quem perdeu
Eu agrupo os partidos de 2018 pela linhagem até 2026 (DEM e PSL → União; PR → PL; PRB → Republicanos; PPS → Cidadania; PHS e PSC → Podemos; PTB, PRP e Patriota → PRD; PROS → Solidariedade). "Eleitos 2018" é o partido na eleição; "Ocupantes hoje" é o partido atual de quem ocupa essas 54 cadeiras (inclui 8 suplentes em exercício), que mudou bastante nesses 8 anos; "Δ" compara 2026 com os ocupantes de hoje. No Senado não há federação nem coligação proporcional: eu conto por partido.
2. Cadeira a cadeira, por UF
Cadeiras da Direita eleitas (letras = bloco de cada eleito)
Bloco por UF
"% dos votos" é a fatia nominal do candidato; como cada eleitor tem dois votos, as fatias de uma UF somam 100% dos votos, não dos eleitores. "Margem" é a distância do 2º eleito para o 1º que ficou de fora. "D hoje → 2026" são as cadeiras da Direita entre os ocupantes de hoje e os eleitos.
3. A referência × o resultado
As duas referências são ingênuas e eu as declaro como tal. "Manter o ocupante de hoje": cada UF mantém as cadeiras da Direita que tem hoje. "Seguir a presidencial de 2022": a UF em que a soma de Bolsonaro supera a de Lula no 1º turno de 2022 dá as 2 cadeiras à Direita, e a outra, 0. "Cadeiras trocadas" é metade da soma dos desvios por UF (a mesma conta da aba da bancada do RS). Não é uma validação de modelo: ela diz onde um modelo teria que ser melhor, e uma só eleição não basta para calibrar.
4. Um modelo para o Senado: a presidencial explica a vaga?
O voto no Senado se nacionalizou
Teste: parâmetros da eleição anterior × total nacional conhecido
2026, UF a UF (sabendo o total nacional)
O modelo: P(vaga da Direita na UF) = σ(α + β · logit(x)), com x = anti-PT/(anti-PT + PT) no 1º turno da presidencial da UF no mesmo dia da eleição (2014: Dilma; 2018: Haddad; 2022: Lula). Ajusto α e β por eleição (máxima verossimilhança, binomial, 27 UFs). Em 2026 eu uso como x a projeção presidencial do meu modelo (1 − mediana de Lula/(Lula + Flávio) por UF, de 2/10), porque a presidencial por UF de 2026 ainda não saiu do TSE; essa projeção é praticamente o desenho de 2022 deslocado (correlação de 0,998 com 2022), então ela não traz informação de 2026 por UF. "Direita" usa os blocos fixos do site: em 2014, por exemplo, PSDB e MDB contam como Centro, e isso baixa a Direita daquele ano. "Trocadas" = metade da soma dos desvios entre cadeiras esperadas e eleitas por UF. "α calibrado" é pós-fato: escolhe o α que dá o total real de cadeiras da Direita e mede só a distribuição entre as UFs. "Régua por ranking" dá as vagas da Direita às UFs de maior x até somar o mesmo total real.
5. As mais apertadas e os mais votados
As cinco cadeiras decididas por menos votos
Os dez mais votados
6. A aritmética do Senado de 2027
Eu somo as 27 cadeiras de 2022 (partido de hoje, pela API do Senado) com os 54 eleitos de 2026, sem trocas de partido nem suplentes até a posse (1/2/2027). Os blocos que eu uso: Esquerda (PT, PSB, PDT, PSOL, Rede…), Centro (MDB, PSD, PSDB, Cidadania) e Direita (PL, PP, União, Republicanos, Podemos, Novo e demais). Não são coalizões nem base de governo: o PP, o União e o Republicanos têm ministérios em governos de lados diferentes, e o PSD e o MDB votam de forma mista. Os limites são constitucionais: 41 é a maioria absoluta; 49 (3/5) é o piso de uma emenda à Constituição (que também precisa da Câmara); 54 (2/3) é o piso de uma condenação em julgamento de crime de responsabilidade.
7. Limites desta análise
- O resultado é do 1º turno e do arquivo de 5/10 do TSE; o diploma só vem depois, e candidaturas e votos podem mudar por decisão judicial (há 24 candidatos com votos "anulados sub judice" no arquivo, nenhum eleito; eu os tirei das margens e das porcentagens, e o mais votado deles é Gladson Camelí, PP, no Acre, com 145.244 votos).
- O modelo da seção 4 tem 2 parâmetros e 27 UFs por eleição, 3 eleições para testar e nenhum teste fora da amostra com a presidencial real de 2026. O nível nacional (α) eu não sei prever; só a distribuição entre as UFs, dado o total. A presidencial de 2026 por UF ainda não saiu em arquivo do TSE (o
BRveio só com o cabeçalho), por isso não cruzei o Senado com o voto de Flávio e de Lula. - A reeleição eu conto casando o nome do parlamentar com o nome de urna em 2026 (9 apelidos conferidos à mão, em
senado.py); quem aparece como "não concorreu ao Senado" pode ter concorrido a outro cargo, aposentado ou usado um nome que eu não casei. - Os blocos são uma simplificação minha. Se o PSD (e parte do MDB) fosse contado como Direita, ou o Republicanos como Centro, a aritmética da seção 6 muda; a tabela mostra a Direita sozinha e as somas com o Centro.
- "Ocupantes hoje" inclui suplentes em exercício e o partido que cada um tem hoje; eu não segui as trocas partidárias ao longo do mandato.